O Programa em seis níveis é o produto estrutural do CLIC: uma escada progressiva de capacitação em Inteligência Artificial que leva servidoras e servidores não técnicos do primeiro contato com a ferramenta até a construção autônoma de sistemas funcionais — sem passar pela dependência de fornecedor externo.
Não é um curso. É uma estratégia de capacidade estatal: cada nível entrega uma solução real aplicada ao contexto de trabalho do participante, registrada em plataforma de continuidade e disponível para reaplicação em outras áreas do órgão.
O Estado brasileiro está numa corrida — financiada, acelerada, frequentemente bem-intencionada — para implantar IA em todos os andares do serviço público. O problema não é a corrida: é correr sem saber pra onde.
Servidoras e servidores são convocados a "usar IA" sem jamais terem sido formados para entender o que a IA decide em seu nome. Gestores assinam contratos de plataformas cujos modelos não conseguem auditar. O resultado é previsível: superfaturamento, vendor lock-in, decisões opacas, perda de soberania sobre dados.
O Programa em seis níveis propõe outra rota: formar, de dentro, quadros capazes de ler, operar, auditar e — principalmente — construir a tecnologia que o órgão adota. Cada nível é um degrau concreto, com entregável real, em direção à autonomia técnica institucional.
Cada nível pressupõe o anterior e aprofunda uma camada. Do letramento mais básico (sem qualquer requisito prévio) até a construção de sistemas completos com apoio de agentes de IA — a virada que transforma servidoras em autoras de tecnologia dentro do Estado.
Destinado a quem nunca abriu uma IA ou só conhece por ouvir falar. A meta não é dominar o campo — é desarmar o medo e usar no mesmo dia. Ao final, a pessoa consegue aplicar a IA numa tarefa real da sua rotina.
Agente para organizar e resumir processos do SEI; app simples de controle de demandas internas.
A IA sozinha é interessante. A IA conectada aos dados do seu trabalho é útil. Neste nível, a participante aprende a estruturar dados para uso com IA — o passo que transforma curiosidade em ferramenta de rotina.
Sistema que organiza lista de processos e gera classificação automática; integração de planilha de controle com agente de análise.
A partir daqui, o programa começa a devolver horas concretas ao servidor. O participante mapeia atividades repetitivas da própria rotina e constrói fluxos automatizados que eliminam o trabalho manual ou reduzem retrabalho significativo.
Automação de triagem inicial de demandas; fluxo automático de organização e resposta de solicitações internas.
Quem organiza o pensamento, organiza a tecnologia.
Aqui a participante sai da lógica de prompt-único para construir assistentes com lógica estruturada: com regras de decisão, padrões, contexto institucional embutido. Assistentes que apoiam análise e execução de forma recorrente — usados pela equipe, não apenas pela autora.
Assistente para apoio à análise de processos administrativos; assistente que orienta decisões com base em critérios definidos.
Neste nível, a participante deixa de construir peças isoladas e começa a orquestrar: integra múltiplos assistentes e automações num sistema coerente, que resolve uma categoria inteira de demandas — e pode ser reaplicado por outras áreas do órgão.
Fluxo completo: entrada de demanda → triagem → análise → resposta. Sistema que integra dados, automação e decisão assistida.
Aqui acontece a virada conceitual do programa. Com ferramentas como Claude Code, Cursor, v0 e Codex, a participante aprende a programar sem programar: descreve o sistema em linguagem natural e o agente escreve código, edita arquivos, integra sistemas, testa e corrige automaticamente. Não é mais "usar ferramenta" — é reduzir, em ato, a dependência de desenvolvimento externo.
Sistema que recebe demanda, classifica automaticamente, consulta base de dados e gera sugestão de encaminhamento. Ou ferramenta interna de análise de processos com interface própria.
O que diferencia o Programa em seis níveis de um curso avulso é que as soluções desenvolvidas não morrem na oficina. Elas alimentam uma plataforma institucional de continuidade que transforma aprendizagem individual em capacidade organizacional.
Cada solução construída nos seis níveis é registrada de forma estruturada, organizada por tipo, uso e impacto, e disponibilizada para reaplicação dentro do órgão. O servidor não constrói só pra ele — constrói pra instituição.
Cada solução catalogada por tipo, uso e impacto — pronta para auditoria e para réplica.
O que uma unidade resolveu vira insumo para as outras — sem reconstruir do zero.
Acervo vivo de conhecimento aplicado em IA, dentro do órgão — não em consultoria externa.
Soluções registradas viram método — não folclore individual — e evoluem com o uso coletivo.
A implantação acompanha a maturidade da área e o ciclo de compra do órgão. Começa onde faz sentido e evolui no ritmo que a instituição sustenta — sem pressa, mas sem inércia.
Execução dos Níveis I e II, geração inicial de soluções e avaliação de impacto. Ideal para órgãos que querem testar o método antes de comprometer orçamento anual.
Execução integral dos seis níveis, consolidação de portfólio de soluções e formação de quadros com autonomia do letramento à construção de sistemas. O corpo principal do programa.
Programa completo somado à plataforma de continuidade, curadoria de soluções, governança e estruturação de capacidade permanente. Para instituições que tratam transformação digital como política de longo prazo.