Produto 02 · Piloto validado · MMXXV

Servidoras
no comando
digital.

CLIC Mulheres é a oficina que tira servidoras públicas da posição de usuárias de sistemas e coloca no lugar de autoras de tecnologia. Em um ciclo curto, cada participante sai construindo seu próprio assistente de IA e um aplicativo funcional — sem precisar programar uma linha de código.

Não é "curso de ferramenta". É um exercício de ruptura identitária — baseado em letramento digital crítico, engenharia de prompt estruturada (método PTCF) e construção assistida de sistemas (vibe coding). E parte de uma leitura clara: a sub-representação feminina em tech não é falta de qualificação — é barreira estrutural.

→ Estágio do produto
04ofc
Oficinas realizadas em piloto
com alta adesão · público feminino · soluções reais desenvolvidas pelas participantes
Formato base 80 min presencial ou remoto Método PTCF + Limites Stack IA generativa + no-code Entrega assistente + aplicativo funcional por participante
I.
Contexto · as barreiras têm nome

A tecnologia foi construída para excluí-las. E continua sendo.

Não é mérito, não é esforço, não é talento. A sub-representação feminina em tecnologia e em cargos de liderança no Estado é sustentada por barreiras estruturais — históricas, simbólicas, materiais — que a literatura acadêmica já nomeou com precisão.

i.

Efeito Matilda

O apagamento sistemático das contribuições de cientistas e inventoras. Ada Lovelace — primeira pessoa programadora da história. As seis programadoras do ENIAC — cujos feitos foram tratados como trivialidade por décadas.

Rossiter · Social Studies of Science · 1993
ii.

Teto de vidro & degrau quebrado

Pra cada 100 homens promovidos a gerente em funções técnicas, só 52 mulheres recebem a mesma promoção. As que passam enfrentam a barreira transparente que impede chegar ao comando estratégico.

McKinsey · Broken Rung · 2021
iii.

Síndrome do impostor com recorte de raça

79% das mulheres em tech relatam sintomas. Mas o número sobe para 83% entre mulheres negras, contra 39% das brancas — reflexo da acumulação de opressões de gênero e raça no ambiente tecnológico.

Unisociesc · TCC sobre SI em TI · 2022
iv.

Segregação interna na TI

Mesmo dentro de tech, mulheres são direcionadas a UX/design (áreas "colaborativas") e afastadas de IA, Cloud e DevOps — as áreas que decidem como a tecnologia pública vai ser construída.

Dados de mercado global de tecnologia
v.

Economia do cuidado

O mercado cobra produtividade linear de corpos que vivem realidades não lineares. Licença-maternidade, trabalho doméstico não remunerado e falta de redes de apoio produzem lacunas de currículo que são penalizadas — não reconhecidas.

Revista Brasileira de Pós-Graduação · 2024
vi.

Viés algorítmico

Com apenas ~26% de participação feminina no desenvolvimento de IA, os modelos são treinados em dados que replicam machismo e racismo estrutural. A discriminação não some — é automatizada.

Caso Amazon (recruitment AI) · documentação pública
Diversidade não é pauta social. É requisito técnico para que a IA funcione direito no serviço público.
II.
Retrato · dados de mercado e política pública

Os números que sustentam a oficina.

A página Dados traz o retrato geral do analfabetismo digital no Estado. Aqui, o recorte é específico: o que os dados mostram sobre mulheres, tecnologia e liderança pública — o terreno exato onde a oficina CLIC Mulheres atua.

→ Brasscom · 2023
19%
das profissionais de tecnologia no Brasil são mulheres.
Relatório de Mercado de TI
→ OCDE · 2022
12%
ocupam cargos de liderança em TI no setor público.
Mulheres em Liderança · Setor Público
→ Estudo Unisociesc · 2022
83%
das mulheres negras em TI relatam síndrome do impostor (vs. 39% das brancas).
TCC sobre Síndrome do Impostor em TI
→ Datafolha · 2022
90%
da população acredita que mais mulheres tornariam o serviço público melhor.
Percepção sobre representatividade no setor público
O letramento digital feminino deixou de ser pauta corporativa e virou política de Estado — Agenda Transversal Mulheres · PPA 2024-2027.
III.
A oficina · quatro blocos, oitenta minutos

Do medo de errar à autoria tecnológica.

A oficina Servidoras no Comando Digital é desenhada em quatro blocos que fazem uma jornada completa: do diagnóstico do medo ao aplicativo funcionando. Nenhum bloco ensina só ferramenta — cada um ataca também uma camada da barreira estrutural.

→ Bloco 01 · 20 min

O ponto de partida

Diagnóstico coletivo de nível (nunca usei / perguntas simples / produzo conteúdo / já criei com IA). Desarme do medo. A IA apresentada como "nova estagiária": amplia o raciocínio, não o substitui — e não é mágica.

Nivela · desarma · situa
→ Bloco 02 · 25 min

Autoria tecnológica

Engenharia de prompt com método PTCF + Limites. Aprendem que prompt ruim gera trabalho, prompt bom gera entrega. Constroem seu primeiro assistente de IA para uma dor real da rotina. Regras de ouro de dados no serviço público.

Ensina o método · primeiro entregável
→ Bloco 03 · 25 min

Vibe coding

Construção de aplicativo descrevendo em linguagem natural. O assistente de texto é o cérebro; o aplicativo, o painel de controle. Cada participante gera uma solução funcional do zero — e sai com link público.

Virada de chave · segundo entregável
→ Bloco 04 · 10 min

Ascensão coletiva

Conexão com a rede ASCENDA, acesso à plataforma de continuidade, entrega do Certificado de Autora de Tecnologia. Não termina na sala — continua no grupo e na plataforma.

Fecha o arco · ativa a rede
→ Método estruturado

PTCF + Limites

A espinha do método. Cinco campos que transformam prompt vago em instrução precisa — exatamente a disciplina que distingue quem usa IA de quem manda nela.

P
Persona

Quem a IA precisa ser para executar a tarefa.

T
Tarefa

O que exatamente precisa ser entregue.

C
Contexto

A realidade institucional em que a resposta será usada.

F
Formato

A estrutura concreta da entrega (tabela, texto, lista…).

L
Limites

O que a IA não deve fazer — inclusive em termos de dados sigilosos.

IV.
Entregáveis · o que cada participante leva pra casa

Cada servidora sai com duas soluções funcionando.

A oficina CLIC Mulheres é prática porque a virada identitária só acontece quando a pessoa sai da sala com algo que ela construiu. Não é prova de conceito abstrata — é solução aplicada a uma dor real do trabalho dela, no dia dela, no órgão dela.

→ Entregável 01 · Assistente

Um assistente de IA pessoal

Construído com o método PTCF, voltado a uma dor real da rotina: organizar processos do SEI, redigir minutas padronizadas, resumir documentos extensos, preparar análises iniciais de pareceres.

Desenvolvido no Bloco 02
→ Entregável 02 · Aplicativo

Um aplicativo funcional

Interface funcional criada via vibe coding — painel de acompanhamento de prazos, ferramenta de triagem de demandas, sistema de apoio à decisão. Com link público e uso imediato.

Desenvolvido no Bloco 03
→ Entregável 03 · Certificado

Certificado de autora de tecnologia

Não é "participação": é autoria. Registra, na trajetória da servidora, a transição formal de usuária de sistemas para criadora de soluções tecnológicas no serviço público.

Entregue no Bloco 04
→ Honestidade editorial

O que não fazemos — e por que isso importa.

Vibe coding e IA generativa são ferramentas novas, e o mercado está cheio de cursos que vendem como se fossem mágica. Não é. A oficina CLIC Mulheres só funciona porque assumimos os limites da tecnologia em voz alta — inclusive para as próprias servidoras. Três recortes que deixamos claros desde o primeiro minuto:

→ O que se constrói é protótipo
Sistema em 80 min é prova de conceito, não software de produção.

O aplicativo gerado via vibe coding é um ponto de partida funcional para dialogar com a TI do órgão — não substitui análise de requisitos, homologação, LGPD aplicada, manutenção versionada. A servidora sai autora; a solução ainda precisa de engenharia.

→ Soberania de dados
Nenhum dado sensível vai para IA aberta.

Regras de ouro explícitas desde o Bloco 02: nunca CPF, nunca processo sigiloso, nunca dado do cidadão em ferramenta aberta. Quando disponível, usar Copilot corporativo homologado. Ensinamos a distinção — e o risco de shadow IT.

→ Tempo é começo
80 min desarma barreira. Maturidade exige continuidade.

A oficina abre a porta. A maturidade crítica — auditar alucinações, interrogar fontes, avaliar viés — é um caminho mais longo. Por isso existem a plataforma ASCENDA, a rede de continuidade e os ciclos estendidos que vêm depois.

Plataforma de continuidade

ASCENDA — não termina quando a oficina termina.

A plataforma ASCENDA sustenta o que a oficina abre. Cinco trilhas progressivas (autonomia digital, literacia de dados, engenharia de prompt, vibe coding, liderança digital), catálogo curado com 70+ ferramentas filtradas por categoria, gratuidade e controle de dados, diagnóstico inteligente que recomenda o próximo passo, rede via grupo de servidoras.

A plataforma é a resposta ao gap de tempo da oficina — onde 80 minutos desarma, a plataforma forma. E onde a formação acontece, a rede sustenta.

→ A companheira da trilha
Sueli — a assistente que acompanha cada servidora dentro da plataforma.
Por que Sueli? O nome é uma homenagem ao pensamento crítico brasileiro sobre raça, gênero e conhecimento. A Sueli da plataforma não julga, não cobra, não apressa. Ela aponta trilha, sugere ferramenta, revisa prompt — e lembra, sempre, que o ponto de partida é legítimo, qualquer que seja.
VI.
Piloto validado

O que aconteceu quando rodamos.

Validado
MMXXV
→ Oficinas
04
ciclos realizados no piloto, com público exclusivamente feminino do serviço público
→ Adesão
alta*
participação ativa do início ao fim em todas as edições, com taxa mínima de desistência
→ Entregáveis
100%
das participantes saíram com assistente e aplicativo funcionando — soluções aplicadas ao trabalho real
→ Maturidade
pronto
para escalar — método estruturado, plataforma no ar, rede ativa, facilitação experiente
VII.
Como contratar · três formatos

Três modos de trazer CLIC Mulheres para o seu órgão.

Adaptados ao ritmo real das compras públicas e à maturidade da área que está contratando. Do primeiro contato com o método à instalação de capacidade permanente.

01

Oficina avulsa

Uma turma, 80 minutos, até 15 servidoras. Ideal para secretarias de mulheres, eventos institucionais, semanas temáticas, ativações pontuais. A forma mais rápida de entregar um primeiro ciclo completo.

Baixo comprometimento · ciclo curto
02

Ciclo recorrente

Trilha de 3 a 5 oficinas ao longo do ano, com acesso estendido à plataforma ASCENDA, acompanhamento das soluções desenvolvidas e encontros de rede. Para órgãos com programas de equidade em curso.

Formação estruturada · ciclo médio
03

Programa anual

CLIC Mulheres como programa institucional de formação digital feminina. Trilhas integrais, curadoria de soluções, plataforma customizada, governança e métricas de impacto. Capacidade permanente.

Instalação institucional · ciclo longo
Próximo passo

A ascensão é coletiva — e começa com uma conversa.